Uma análise da cobertura da mídia nas eleições do Rio de Janeiro

Para fazer uma análise crítica da cobertura da mídia nas eleições do Rio de Janeiro, irei utilizar os maiores meios de comunicação de massa da cidade. Por questões materiais (sou carioca mas moro em Brasília), a análise se limitará aos meios que possuem versão online.

Um dos fatores mais importantes para analisar a cobertura da mídia sobre determinado assunto é verificar o não-dito, o omitido, aquele assunto que  – por diversos motivos – a mídia não se interessou em verificar.

No primeiro turno das eleições do Rio de Janeiro, um em cada três cariocas não votou em nenhum candidato a prefeito. As abstenções e os votos nulos e brancos somaram 30,6%. Esse índice pouco mudou no segundo turno. Os principais jornais, entretanto, não prestaram atenção a esse fato, importantíssimo para compreender a legitimidade das eleições.

Se o voto é obrigatório e 1/3 do eleitorado não vota, não tem algo errado com as eleições?

Também devemos prestar atenção sobre o que a mídia mostra – ou não mostra – sobre os candidatos. Tanto pessoalmente como politicamente. Uma característica importantíssima da cobertura da mídia nessa eleição – não só no Rio de Janeiro, mas em vários outros estados – é a despolitização da disputa.

Focando o olhar no segundo turno carioca, percebemos que Fernando Gabeira é mostrado como o candidato “jovem”, o candidato “progressista”. Muito se é falado sobre seus projetos em relação às prostitutas ou sobre a legalização de drogas, mas sem se aprofundar no assunto; e nenhuma outra proposta é apresentada. E há assuntos muito importantes a tratar, como a proposta do Bilhete Único para o Transporte Público da cidade.

Eduardo Paes, apesar de mais novo que Gabeira, é apresentado como o candidato “experiente”, o “bom administrador”, um político que sabe “administrar uma cidade”.

Percebemos que não é feito um confronto entre as idéias dos dois candidatos, até porque as propostas são praticamente idênticas. No primeiro turno haviam partidos realmente diferentes, com ideologias diferentes, com propostas opostas em relação às dos demais partidos. Agora, no segundo turno, não há mais disputa de idéias. E, na verdade, nunca houve, porque no primeiro turno os candidatos “menores” não eram apresentados.

Juntos, os dois candidatos a prefeito (Gabeira e Paes) receberam R$ 10 milhões de reais, financiadas por corporações financeiras, imobiliárias e empreiteiras, todas com interesses em contratos com a Prefeitura. Carvalho Hosken, OAS, Bradesco, Itaú, Eike Batista, Walter Moreira Salles, Armínio Fraga, Gávea Investimentos, entre outros.

Esse também é outro fato pouco discutido pelos meios de comunicação. Como o prefeito conseguirá servir ao povo carioca depois de ter recebido apoio destes lobbys gigantescos? É possível?

O real papel dos meios de comunicação, fazer perguntas, investigar, instigar a população a lutar pelos seus direitor, isso foi algo raro de se ver.

Texto escrito por Thiago Dutra Vilela, estudante de Comunicação Social da Universidade de Brasília, administrador do site ocomprimido.com

Uma farsa garantida pela “Justiça” e repudiada por milhões

A Justiça Eleitoral usou e abusou em anúncios pagos nos monopólios de comunicação, numa guerra psicológica para induzir o eleitorado a cumprir com sua “obrigação cívica”. O principal da chantagem é colocar a culpa no eleitor pelo resultado da escolha entre o populista e o enganador, o astuto e o cínico, o descarado e o cara-de-pau; o corrupto e o ladrão.

Toda a campanha da Justiça, além do mais, obscureceu totalmente o processo de escolha dos candidatos dentro dos partidos e as coligações feitas. Processos obscuros que não passam de negociatas acertadas entre os donos das siglas para dividirem o poder em lascas, de forma a aquinhoar cada grupo com uma “boquinha” na administração pública, ou privada.

Com tudo isso, a expressiva parcela de 22% do eleitorado viajou/justificou, não compareceu, votou nulo ou em branco. Houve situações, como em Benedito do Leite, no Maranhão, onde os eleitores tocaram fogo em todas as urnas, e em Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, onde o povo se rebelou contra o resultado das eleições atacando o fórum da cidade. Episódios como estes, cada vez mais comuns nas eleições, mostram como cresce o repúdio à farsa da democracia burguesa montada no País para dar legitimidade ao velho e burocrático Estado brasileiro.
Várias siglas, um só partido

Se alguém ainda tem dúvidas sobre o corrupto processo eleitoral brasileiro, que verifique entre os eleitos e as coligações feitas em torno deles. Elas são uma prova do monopartidismo ocultado pela multiplicidade de siglas (mais de quarenta), que no frigir dos ovos se apresentam sem nenhuma diferença ideológica ou classista, o que as coloca todas como farinha do mesmo saco.

Coligações do tipo PT/PCdoB/PMDB/DEM/PSDB/ PSB/PDT, aconteceram às centenas numa demonstração irrefutável do que afirmamos. Mas isto não é tudo, é só a crosta do fenômeno. A sua essência revela que para montar tais coligações tão poderosas, seus articuladores, geralmente respaldados pelo gerenciamento de uma ou mais esferas da administração pública, alavancam fabulosas somas em dinheiro junto ao sistema financeiro, aos empreiteiros e aos grandes empresários e latifundiários.

É com este poder que eles atraem para suas coligações as siglas que, além de receberem a grana para forrar suas campanhas a cargos proporcionais, recebem também fatias de poder no gerenciamento que se iniciará. E tem mais: o candidato que conseguiu montar coligações mais amplas terá ampliado o seu tempo de propaganda paga pelo povo, através da Justiça Eleitoral.

A lei garante o direito de que um candidato disponha de mais tempo para sua propaganda do que seus concorrentes. Esta aberração é somente uma dentre tantas desmascaradoras do caráter de classes da nossa democracia. Deste item é que se servem os marqueteiros para vender candidatos usando das mesmas falsificações adotadas, quando usam atletas para vender cigarro ou esbeltas garotas para vender cerveja. Vale tudo se o objetivo é ganhar a eleição, ou melhor, enganar aos incautos.

Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte são os melhores exemplos disso, mas no restante do Brasil pode-se encontrar situações que confirmam esta regra quase sem exceção. Por exemplo, em Fortaleza, na candidatura de Luiziane se coligaram 11 partidos, além do PT: PSB, PCdoB, PMDB, PV, PHS, PMN, PTN, PRB, PSDC, PSL e o PTdoB.

Partido nacional, programa e linha política única, tudo isso é puro formalismo que só serve para mascarar o monopartidismo real. Na prática, o mesmo PV que apóia a petista Luiziane em Fortaleza, faz coligação com o PSDB no Rio de Janeiro para apoiar Gabeira e com o PSOL em Porto Alegre para apoiar Luciana Genro. Que, diga-se de passagem, foi bem aquinhoada com a bolada que o monopólio Gerdau lhe ofertou. O PCdoB (talvez a sigla mais promíscua) que também apoiou Luiziane fez coligação em Porto Alegre com o PPS, que está junto com o PSDB no apoio a Gabeira no Rio e Alckmin em São Paulo.

Estas composições, na verdade, são montadas não com base em princípios, programas ou linhas políticas e sim, de acordo com as conveniências dos chefetes e caciques de cada sigla, em cada local. Como vimos acima, as combinações são apenas variações dentro de um mesmo e único partido. A coligação “Aliança por BH” (PT-PSB-PTB-PP-PR-PV-PMN-PSC-PSL-PTN-PTC-PRP), que defende a candidatura de Márcio Lacerda é certamente a que reflete melhor a realidade de partido único vigente, já que conta, inclusive, com o apoio não oficial do PSDB de Aécio Neves.

No segundo turno do Rio, Eduardo Paes, da “Unidos pelo Rio” (PMDB-PP-PSL-PTB) provavelmente receberá o apoio do PSB, do PCdoB, do PDT, já que são todos da “base aliada” de Luiz Inácio. É provável também que o PSOL, que em Porto Alegre está coligado com o PV, apóie Gabeira no Rio, mesmo diante do fato de que seu candidato Chico Alencar tenha acusado Gabeira de ser o “candidato dos banqueiros”. Bom, mas esta acusação foi feita no primeiro turno, no segundo renova-se a hipocrisia…
Que “esquerda” é essa e a que serve?

Partidos, ou melhor, siglas, como PCdoB, PCB, PCO, PSTU e PSOL, que se juram socialistas e até mesmo comunistas, insistem em coonestar este viciado processo, mesmo conhecendo o significado essencial das eleições burguesas como instrumento de dominação da burguesia e seu papel histórico, tanto ao nível internacional quanto ao de nosso país.

Principalmente aqui, cujas classes dominantes locais, serviçais do imperialismo, sempre nos brindaram com exemplos do mais vil desprezo para qualquer vestígio de democracia. Exatamente como foram a “república velha”, os gerenciamentos Vargas, 1930/45, e militar,1964/85, a proscrição do Partido Comunista do Brasil em plena “redemocratização”,1947, e as milhões de fraudes e manipulações como as realizadas via pesquisas de opinião, etc.

Falsos comunistas e socialistas “pós-modernos”, renegados do marxismo que são, abominam a luta de classes, a violência revolucionária e a ditadura do proletariado, concepções que trocaram pela velhacaria burguesa de “democracia pura”, “sufrágio universal”, “Estado Democrático de Direito” e outras falácias mais.

Embora sabendo que dispõem de mínima chance de serem eleitos (êxito que só ocorre quando se metem mais fundo na lama do oportunismo) participam da farsa de maneira tão dócil, convencidos e entusiastas que esboçam propostas de governo no mais puro estilo liberal. Isto quando, por conselho dos entendidos em ganhar eleições, procuram passar a idéia de que também são gente “séria e responsável”. Mas há casos de demagogia de fazer corar as velhas raposas da burguesia. Vimos candidatos a prefeito prometerem o socialismo caso eleitos! Ora pois!

Estas organizações que pululam o movimento operário e popular, na verdade, mesmo no caso da insignificância eleitoral de algumas, não passam de força auxiliar da burguesia a ludibriar parcela ponderável das massas com as ilusões eleitorais. Como consolo elas recebem minguados segundos na televisão e no rádio para carimbarem sua adesão à democracia burguesa.

À reboque da burguesia, inclusive as que lançam frases ultra-revolucionárias cumprindo o papel de dar a aparência democrática de que todas as ideologias têm iguais direitos no pleito, junto com as forças do establishment que agem como um rolo compressor sobre a consciência das massas, principalmente de suas parcelas mais atrasadas.

Porém e ainda assim, são atropelados por milhões que se negam a tomar parte da farsa. Ainda que não tenham encontrado a via revolucionária esses milhões de brasileiras e brasileiros, desiludidos ou não, desesperançados ou não, já descobriram que nada pode ser mais nocivo que a participação em tal engodo. Estão sim sedimentando e adubando o terreno para grandes acontecimentos e assim, acham-se a léguas de distância em termos políticos de toda essa malta de oportunistas.

Esmolar um votinho das parcelas mais atrasadas das massas, chantageadas e encurraladas pelo clientelismo dos partidos burgueses inseridos na máquina administrativa, maldizendo as parcelas do povo que já registra o seu protesto contra a farsa eleitoral e ao mesmo tempo fazer de tudo por desviar do caminho revolucionário para o pântano eleitoreiro as massas que estão lutando por seus direitos. Nisto tem se resumido a prática pernóstica desta “esquerda” falsa e de pacotilha.

Nada pode ser mais ridículo, como troçava Lenin do renegado Kautsky e Cia., que essa gente, outrora tão marxista, agora aos berros de “democracia pura” ou “democracia em geral”, suplante mesmo os políticos liberais na defesa de teorias tão podres.

O caminho para a Nova Democracia

Mobilizar, politizar e organizar as parcelas mais conscientes das massas populares presentes no campo e na cidade. Este é o dever daqueles que, sendo autêntica esquerda, rechaçam a velha democracia burguesa, sua farsa e seu jogo. E que, de fato, estão comprometidos com as profundas transformações, as quais, só mediante um processo revolucionário podem realizar-se para liquidar o atraso das relações sociais no campo via Revolução Agrária, confiscar todo grande capital e promover a verdadeira independência nacional com a expulsão do imperialismo.

Só assim poderemos estabelecer uma democracia que tenha a cara do nosso povo, a Nova Democracia como um Estado da frente única das classes exploradas e oprimidas, tendo como vanguarda o proletariado em sólida aliança com o campesinato, principalmente pobre. Este novo Estado será, ao mesmo tempo, plenamente democrático para as massas populares e ditatorialmente irredutível para as antigas classes dominantes exploradoras.

Texto escrito por Fausto Arruda, da NovaDemocracia

Rio: as duas faces de uma mesma mediocridade

Pobre Rio de Janeiro. Este seria o melhor título para este comentário, escrito logo após o último debate entre os candidatos a Prefeito. Uma coisa ficou mais do que clara, o segundo turno carioca está sendo disputado por duas vertentes da direita, a velha, representada por Eduardo Paes, e a nova, por Fernando Gabeira. Não é possível vislumbrar qualquer mudança substancial na cidade do Rio de Janeiro.

As duas campanhas foram financiadas por corporações financeiras, imobiliárias e empreiteiras, todas com interesses em contratos com a Prefeitura.

Carvalho Hosken, OAS, Bradesco, Itaú, Eike Batista, Walter Moreira Salles, Armínio Fraga, Gávea Investimentos, entre outros. O investimento total beira os R$ 10 milhões, o que não é nada perto do orçamento municipal previsto para o ano que vem: R$ 12 bilhões (com “b”).

O consórcio PMDB-PSDB-DEM gerencia estado e município há duas décadas. Na seguinte base: privatizações, corrupção, repressão contra a classe trabalhadora e genocídio contra pretos e pobres. Tudo do jeitinho que o neoliberalismo gosta.

Paes tem o apoio do Governador Sergio Cabral, de Lula e setores da esquerda burocrática, também conhecida como da boquinha. Gabeira traz de volta figuras execráveis como Armínio Fraga, que já foi sócio do mega-especulador George Soros, David Zylbertsein, o ex-genro de FHC, também conhecido como petróleo é vosso, e Marcio Fortes, de uma família de especuladores imobiliários que sempre tiveram estímulos dos mais diversos governos da região.

Gabeira tem apoio do atual prefeito, César Maia. Tirem suas próprias conclusões.

Nada disso foi dito no debate da Globo, numa reprodução provinciana do esquema estadunidense. O candidato Gabeira indiretamente chegou a lembrar a eleição nos Estados Unidos, como que querendo comparar em termos de importância para o eleitor se definir.

Freud explica Gabeira. A sua vontade é tão grande de viajar aos Estados Unidos que qualquer brecha vale para tentar convencer os diplomatas, legisladores e os serviços de inteligência daquele país que não tem sentido a lei que proíbe a entrada de pessoas como ele nos Estados Unidos, só porque há muito tempo ajudou no seqüestro de um Embaixador.

Prometer é fácil, difícil é cumprir

Ficou claro no debate que Gabeira e Paes fizeram promessas impossíveis de serem cumpridas. Nenhum dos dois, limitados por natureza, conseguiu dizer de que forma poderiam cumprir as promessas feitas aos eleitores, ainda mais se sabendo que em função da crise financeira que está começando resultará em termos imediatos na redução do Fundo de Participação dos Municípios, a principal fonte de recursos das cidades.

Gabeira e Paes chegaram a falar até em reduzir o IPTU, mas não conseguiram explicar de que forma poderiam cumprir essa promessa. Gabeira, afinal um lorde verde, não poderia deixar de lado a proteção à natureza. Sugeriu o abatimento no IPTU em troca da coleta de água da chuva.

Com que verba vão governar? Paes acha que estando próximo de Cabral e Lula tudo ficará mais fácil, apesar da crise. Gabeira acha que Lula é um republicano etc e tal. A TV Globo, claro, preferiu evitar que temas desta natureza aflorassem com mais nitidez. Se aflorassem, não seria um debate da Globo.

Como os dois são medíocres e o formato do debate da TV Globo ao estilo estadunidense mais ainda, dificilmente os telespectadores que agüentaram a parada medíocre se posicionaram em função do debate.

Paes, preconceituoso como é a velha direita, tentou indispor Gabeira com os moradores da Avenida Atlântica e Barra da Tijuca por causa de um projeto do referido deputado sobre as prostitutas. A nova direita, que no Rio estava praticamente extinta, mudou de postura na questão moral, até para que o seu candidato apareça como moderno. Faz parte do esquema.

Mas na área econômica, velha e nova direita continuam muito próximas, como ficou também demonstrado no debate da Globo. Nada mais parecido com Gabeira do que Paes e vice-versa.

Paes falou com muito orgulho do convênio assinado entre o Governo do Estado, capitaneado pelo seu padrinho Cabral, e a Fundação Roberto Marinho para a ocupação do espaço da boate Help pelo Museu de Imagem e do Som.

Gabeira, como não poderia deixar de ser, agradeceu efusivamente a Globo pelo debate. Não questionou, nem Paes, se no tempo em que Help foi ocupada pelo esquema do testa de ferro Chico Recarey pagou algum imposto para Prefeitura. Isto é que interessa para os cidadãos contribuintes deste Rio de Janeiro, não o tipo de público que freqüentava a Help.

Gabeira congratulou-se com a repressão ao estilo Bogotá, ou seja, a mesma posição do padrinho de Paes, Sergio Cabral, que vai mais adiante ao adotar a política de criminalização dos pobres. A Colômbia também serviu de exemplo para Gabeira, ao lembrar que lá, cidadãos que cometem alguma infração urbana recebem, dos fiscais de posturas, o “cartão amarelo e vermelho”. Será que encontraria voluntário para repetir a façanha aqui no Rio?

Como Paes apóia tudo que Cabral faz ou pensa em fazer, nem é preciso dizer qual a posição do candidato na questão da repressão ao estilo Bogotá.

Paes, que já foi o “meu garoto” de César Maia, foi em cima de Gabeira pelo apoio que está recebendo do atual prefeito. Depois de repetir várias vezes esse fato, Gabeira deu uma estocada no adversário ao lembrar que Paes era apoiado pelo vereador Jorge Babu, do PT, vinculado às milícias, que o candidato do PMDB sempre apoiou.

Esquerda burocratizada e a que não caiu na armadilha

Este medíocre debate final deve merecer a reflexão dos mais diversos setores políticos da esquerda. A da boquinha, cujo principal representante é o PC do B de Jandira Feghali, não ficando atrás o PSB, do secretário Alexandre Cardoso, e o PDT de Carlos Lupi vai ter que passar o resto da década fazendo autocrítica.

E a esquerda que não caiu na armadilha de apoiar um dos dois candidatos, por ter a noção exata de que ambos são farinha do mesmo saco da mediocridade que impera no Rio de Janeiro pelo menos desde os anos 90, pode aproveitar o embalo para crescer e tentar reverter o quadro de manipulação grosseira da mídia conservadora, que fez o possível e o impossível para que o segundo turno terminasse numa disputa entre a direita velha versus a nova. Para os big-shots midiáticos, melhor não poderia ser.

E quem foi que disse a Jandira, a Cardoso e a Lupi, que o medíocre Paes é um contraponto a Gabeira? Se o que pesou nesse sentido foi a questão de apoio a Lula, pela trajetória de trânsfuga que tem Paes, não será de se estranhar se num momento de crise brava que venha a afetar a imagem do presidente, o candidato volte às suas origens partidárias de secretário geral do PSDB.

Ou seja, não será de se estranhar se em pouco tempo Paes se bandear para os lados de Serra ou Aécio deixando Lula a ver navios. Paes tem o perfil do tipo rato abandonando o navio em um naufrágio. É dos primeiros a pular fora. Só a esquerda boquinha não viu isso, aliás, até viu, mas só no primeiro turno.

Gabeira e Paes, vale sempre repetir, retratam exatamente a decadência de uma cidade que algum dia representou a vanguarda política e cultural deste continente chamado Brasil. Pobre Rio de Janeiro.

E no final das contas, a TV Globo foi ouvir os candidatos para avaliar o debate. Repetiram a mesma mediocridade de sempre. O Rio merecia coisa melhor.

Por estas e outras, não mencionadas, o candidato zero zero é realmente a melhor opção. Certamente será muito bem votado. Quem viver, verá.

Início do texto escrito por Marcelo Salles e o restante por Mário Augusto Jakobskind. Retirado do FazendoMedia