Novo caveirão do Bope do Rio terá ar condicionado, pára-choques contra barricadas e espaço para mais policiais. O governo do Rio receberá nove blindados do novo modelo.
Atualmente, a Polícia Militar do Rio tem 12 caveirões. Na segunda-feira, os veículos serão pintados e estilizados com o símbolo do Bope – uma caveira sobre duas armas com uma faca cravada na parte superior do crânio - que deu origem ao nome de caveirão.
O novo modelo, de acordo com a Secretaria Estadual de Segurança do Rio, tem na parte da frente um pára-choque que permite proteger e destruir barricadas montadas por traficantes, que atualmente costumam impedir a passagem de caveirões em favelas.
Além de mais equipado, o novo modelo também será mais espaçoso e confortável, segundo a secretaria. Tem ar-condicionado e capacidade para receber mais policiais.
A Secretaria Estadual de Segurança ainda não informou o valor da compra dos novos caveirões nem quando eles começarão a circular nas ruas do Rio.
A questão, além de graves acusações da má utilização do blindado (existe uma ‘boa’ utilização?) e das fortes evidências de desvios e corrupção praticados por policiais dos carros, o Caveirão é hoje responsável pelo medo das crianças, pelo fim da sociabilidade nas comunidades, fazendo do espaço público outrora ocupado por diversão e interação, um espaço de medo e apreensão.
Mais grave ainda são as mortes de várias crianças e idosos durante operações dos blindados nas comunidades. A situação da violência no Rio de Janeiro é reconhecidamente grave, e vale ressaltar que partilhamos de todas as preocupações no que diz respeito a sua magnitude. Isso não significa, no entanto, que possamos legitimar uma política de segurança pública que esteja descolada da “segurança social”, e seja pautada pelo processo de criminalização da pobreza e de desrespeito aos Direitos Humanos.
A cruel realidade, não nos permite justificar políticas que supostamente visam combater a violência e que, são há anos responsáveis pela adoção de ações que agridem e violam diariamente moradores de comunidades do nosso Estado.
Dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública não nos permitem mentir: maiores confrontos não são a expressão de uma política eficiente. Caso fosse assim, o mínimo esperado seria uma profunda queda nos números de mortes e de delitos, e nem em tais aspectos a política de confronto defendida por esse governo foi capaz de assegurar.
O tráfico de drogas como reconhecido comércio internacional, deve ser, sem dúvidas, combatido. Isso sem entrar na questão da legalização das Drogas. Sob qualquer circunstância, esse tráfico deve ser combatido. Porém, não é sinal de eficiência combater o traficante, mas sim o tráfico de drogas. E este pode ser combatido através de políticas conservadoras, ou propostas positivas como a construção de medidas mais efetivas de inteligência policial que possam desmontar as grandes redes de tráfico. Dessa forma poderemos enfrentar, de maneira verdadeira, as causas do comércio ilegal de drogas.
A realidade que hoje se apresenta é a corroboração com a execução sumária de jovens no Rio de Janeiro, que são a ponta de um comércio cujo grande “lucro” não estará nunca em suas mãos.
Enquanto houver política de confronto será inevitável o aumento de policiais, traficantes e também de civis mortos. Portanto, no que diz respeito aos instrumentos que caracterizam uma situação de “guerra” contra o crime, reafirmamos a nossa veemente discordância, sendo essa opção a grande responsável pelo aumento da morte de todos os envolvidos em tal combate.
Com o caveirão, morrem menos policiais nos confrontos. Mas morrem mais inocentes. Morrem mais traficantes. Essa é a solução do problema?
Acreditamos que é sim possível uma política de segurança que não se baseie na lógica de confronto e que não desrespeite uma boa parte da população carioca, como tem acontecido nas incursões às favelas, em especial com a utilização indiscriminada – porém discriminatória – do Caveirão e de tantos outros instrumentos de intimidação.
Não é essa a Segurança Pública que a nossa cidade deve debater. Ao contrário, estaremos sempre lutando contra a execução de uma vida sequer, especialmente quando essas são violadas pelo Estado, aquele que deveria proteger o direito à vida.