Referendo confirma Evo Morales no poder

Neste Domingo aconteceu, em toda Bolívia, o plebiscito revogatório – que tem como finalidade aprovar ou não os mandatos de todos os cargos eletivos do país – inclusive o do Presidente. Esse referendo foi chamado pelo presidente Evo Morales. E foi uma manobra muito inteligente.

Como vocês souberam pela grande mídia, a partir de maio deste ano as províncias do leste boliviano fizeram plebiscitos sobre “autonomia departamental”, em processos separatistas promovidos pela Direita boliviana – oposição do governo Evo Morales.

Foram processos marcados por fraudes escandalosas, com urnas eleitorais chegando às zonas de votação recheadas de votos pró “autonomia” antes mesmo do início da votação, isso sem falar da violência de grupos de direita brancos e racistas contrários ao governo Evo Morales.

Não foram por outra razão que os resultados estapafúrdios que deram vitórias aos opositores de Morales da ordem de 80, 90 por cento, em pleitos ilegais, inconstitucionais e fraudulentos e que, justamente por isso, não tiveram observação internacional, à diferença do atual pleito convocado por Morales, que teve cerca de 300 observadores internacionais.

Assim, não é por outra razão que, de acordo com a Rádio Panamericana, da Bolívia, Evo Morales foi confirmado no cargo com cerca de 60% dos votos. Evo Morales teve 53,7% dos votos quando se elegeu. Para continuar no poder os parlamentares precisam manter ou superar a porcentagem de votos que obteram quando foram eleitos.

Os governadores de La Paz, José Luís Paredes; Manfred Reyes Villa, de Cochabamba e Alberto Aguilar, de Oruro, que fazem oposição ao governo central, perderam o cargo.

Teriam sido confirmados os governadores de Potosi, Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.

Lembrem-se, são resultados não oficiais. Mas já dá para tirarmos várias conclusões.

Os leitores da grande mídia, que viram a imprensa golpista noticiar as “vitórias” da oposição a Morales no caso do reverendo pela autonomia, agora ficará totalmente confuso. Isso é, ficaria, provavelmente o Jornal Nacional encontrará uma maneira de diminuir essa vitória do governo – ou simplesmente não a noticiará. Mas o povo boliviano, ao menos, saberá do resultado. E saberá de que lado está a mídia.

E graças ao presidente. Morales, vendo que os plebiscitos fraudulentos estavam se sucedendo e a mídia estava impedindo que as fraudes fossem denunciadas, conseguiu contornar essa situação ao convocar esse plebiscito revogatório.

Porque, da maneira que os resultados dos Reverendos separatistas foram noticiados, parecia que a Bolívia não queria mais esse governo. E a mídia escondeu toda a fraude. Ora, se essa é a verdade, como o presidente foi confirmado no cargo com 60% dos votos? Porquê quem foi revogado do cargo foram parlamentares da oposição ao governo?

Tomemos o exemplo de Santa Cruz de la Sierra. Se fosse verdadeiro o resultado do plebiscito “autonômico” de 4 de maio, no qual Morales teria sido derrotado por 85% dos votos, na votação deste domingo o resultado naquela região teria que ser muito parecido. E isso não vai acontecer.

Evo Morales, vendo que os plebiscitos fraudulentos estavam se sucedendo e a mídia estava impedindo que as fraudes fossem denunciadas, convocou referendos revogatórios nos quais o presidente e os governadores das províncias terão que receber votações iguai

Ainda não se sabe se os governadores rejeitados aceitarão deixar o poder.

Fonte: Globo.com, Uol e Cidadania.com

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