No dia 26 de julho, conselheiros de cultura de Niterói, vereadores e deputados com mandatos populares, imprensa, um representante do Ministério da Cultura, advogados, militantes do MST, universitários e muitos MCs e DJs de várias favelas e comunidades cariocas se reuniram para uma roda de funk, que, entre futebol e churrasco, buscou debater o funk enquanto uma manifestação cultural e pensar a criação de uma associação.
Um mês depois se reuniam novamente em um domingo de sol, dessa vez no Circo Voador. E, acompanhados de mais pessoas interessadas no movimento, consolidaram a criação da APAFUNK – Associação de Profissionais e Amigos do Funk.
O encontro começou às 15h com a antropóloga e professora da UFF Adriana Facina, uma das responsáveis pelo projeto, lendo o Manifesto Funk é Cultura, elaborado no encontro anterior, e do texto do projeto de lei federal definindo o funk como movimento cultural de caráter popular. Como está explicitado no manifesto, “reivindicar politicamente o funk como cultura nos fortalecerá enquanto coletivo para combatermos a estigmatização que sofremos e o poder arbitrário que, pela força do dinheiro ou da lei, busca silenciar a nossa voz”.
O Deputado Estadual Marcelo Freixo do PSol, apoiador do movimento e responsável pelo projeto de lei na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, falou sobre a importância da resistência e da pressão popular, e que “as leis devem traduzir e concretizar a luta cotidiana do povo, que já é feita nas ruas”. O Deputado Federal e candidato à prefeitura do Rio Chico Alencar, do PSol, também declarou seu apoio ao movimento e se responsabilizou pelo encaminhamento da lei em nível nacional.
Na seqüência, o bacharel em direito Paulo César (mais conhecido como “PC”) da Rocinha, que há 6 anos trabalha na ABraMus (Associação Brasileira de Música), fez um breve panorama sobre direitos autorais, fonogramas, editoras e gravadoras. Graças à sua experiência no ramo e envolvimento pessoal na causa por ter sido nascido e criado na periferia junto a diversos MCs, relatou alguns casos de exploração e sonegação de pagamento aos músicos e intérpretes de funk. Sobre isso, ressaltou a importância do conhecimento dos direitos e da legislação por parte dos MCs, por causa da desinformação, muitas vezes deixam de fazer valer seus direitos enquanto profissionais, ficando os lucros com as gravadoras, rádios, editoras e, de uma maneira geral, a indústria cultural.
Para pontuar a diferença entre ONGs e associações, foi chamado o poeta Delei, de Acari, que ressaltou a importância da criação de uma associação que represente os funkeiros e forneça uma assessoria jurídica e de imprensa para assim garantir seus direitos e sua imagem. O encontro ainda contou com a fala da assessora jurídica popular Ana Paula, que pontuou os trâmites burocráticos necessários para a consolidação da associação, como a elaboração de um estatuto, definição de sede e registro em cartório. Segundo o MC Leonardo, que coordenava a mesa de debates, “a APAFUNK vai ser uma janela para garantir melhores condições de produção e mostrar ao MC a quem se deve recorrer nos diferentes casos”. A entrada do evento foi gratuita, mas durante o encontro foi passado um livro de ouro para recolher contribuições para a formação da APAFUNK nesta primeira fase de consolidação burocrática.
Depois do debate, a cena foi rapidamente transformada em uma roda de funk onde, como nas rodas de samba, os MCs se revezaram cantando antigos sucessos e músicas novas – vale ressaltar, sem palavrões e ofensas. Como muitos dos presentes fizeram questão de ressaltar, nunca cantaram um proibidão. Entre os MC´s presentes estavam Amilckar, Chocolate, Neném, Marcelo, Padilha, Lasca, Tuzinho, Carlinhos, Xandinho, Junior e Leonardo, Taffarel, Teko, Galo, Dolores, Juninho, William do Boréu, Tiana, Vânia, Julinho Santa Cruz e DJs Marcelo Negão, JF, Nil, Amazing Clay, Ulisses, Fat Mix.
Para a professora Adriana Facina, a importância da criação desta associação está na “defesa dos direitos desses artistas e promoção de uma diversidade musical maior naquilo que se ouve nas rádios e nos bailes, garantindo espaço para a poesia da favela se expressar”
Para maiores informações:
- http://www.funkdera iz.com.br/
- http://osclassicosdofunk.blogspot.com
- Lei que define o funk como movimento cultural: Clique aqui
Vale e Petrobras financiam 33º encontro da Fenaj em São Paulo, mesmo assim, taxa de participação chega a R$ 400,00
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) está realizando, em São Paulo, desde o dia 20, o 33º Congresso Nacional dos Jornalistas. Com término previsto para o dia 24, o encontro, que tem como tema central o “Jornalismo, o Mundo do Trabalho e a Liberdade de Imprensa” acontece no Novotel Jaraguá,rua Martins Fontes, 71, bairro Bela Vista.
Este informe sobre o evento poderia se ater a essas considerações se não fossem alguns fatos que demonstram que a direção da entidade dos jornalistas e mesmo alguns sindicatos da categoria têm uma visão distorcida sobre a própria realidade que vive hoje os jornalistas de todo o país. E, como não poderia deixar de ser, esse posicionamento se reflete na forma de agir da própria direção da entidade.
O Congresso, que poderia ser representativo de todas as faixas de jornalistas e mesmo estudantes de comunicação, não o será. Participam como observadores apenas os sindicalizados que se dispuseram a pagar uma taxa de R$ 300,00. A taxa para os não-sindicalizados foi de R$ 400,00. Para os delegados que representam os sindicatos, de R$ 220,00. Para os estudantes de comunicação pré-sindicalizados, R$ 150,00, e de R$ 300,00, para os não pré-sindicalizados.
Vale e Petrobras
Os organizadores do evento, cuja abertura contou com a presença do ministro Hélio Costa, das Comunicações, e do ministro do Trabaho, Carlos Lupi, alegam que o pagamento é necessário para cobrir as despesas do congresso, que tem o apoio de 13 empresas, privadas e públicas, entre as quais a Petrobrás e a Vale do Rio Doce (hoje, Vale).
Na verdade, nada foi feito para que se reduzissem os custos. Escolherem um hotel cinco estrelas, entre outras coisas. Quando poderiam ter conseguido o espaço de alguma universidade pública para abater as despesas.
Como se não bastasse, ao ser questionada por jornalistas que firmaram um abaixo-assinado criticando o valor alto da inscrição, a direção da Fenaj justificou os gastos como necessários e, ainda por cima, acusou os críticos de “eleitoreiros”.
Na verdade, na prática a direção da Fenaj alija a maioria dos profissionais de imprensa brasileiros que recebem salários baixos. Para se ter uma idéia, no interior do Estado do Rio, por exemplo, a média salarial alcança R$ 600,00, o que não deve estar muito distante do interior de outros Estados da federação. E isto, diga-se de passagem, num setor em que o patronato obteve taxas de lucros das maiores da história, comparável proporcionalmente aos do capital financeiro.
Delegados questionáveis
Mas se o leitor pensa que as críticas se resumem às questões mencionadas, engana-se. A forma com que foram escolhidos os delegados representantes em alguns sindicatos é no mínimo questionável. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro nem chegou a realizar uma assembléia propriamente dita. Ou seja, os representantes foram escolhidos na calada da noite sem que os associados se manifestassem sobre o critério das escolhas ou muito menos sugerissem indicações de jornalistas não-vinculados à diretoria para representar o Rio no congresso em São Paulo.
Nota preconceituosa
Não é à toa que a elitista direção da Fenaj e a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Pará protagonizaram um episódio, que valeu inclusive uma nota oficial de ambas entidades de teor tipicamente preconceituoso contra os movimentos sociais.
Simplesmente, a Fenaj criticou duramente uma manifestação de integrantes de oito entidades, dentre as quais o MST, Via Campesina, Fórum em Defesa das Rádios Comunitárias, Consulta Popular e Marcha Mundial de Mulheres, realizada em um congresso de jornalistas do Pará.
Apesar de a nota da Fenaj e do Sinjor-PA afirmar que “é preciso deixar claro que não somos contra protestos, desde que ocorram em locais apropriados”, o simples teor da nota anula o que foi dito. Não houve nenhuma agressão a quem quer que seja, como erroneamente afirmam as respectivas entidades, mas apenas uma manifestação legítima que poderia ter ocorrido em que qualquer evento político.
A crítica da Fenaj e do Sinjor-PA se deve ao fato de que no momento da manifestação uma editora local da Rede Globo, Lúcia Leão, deveria falar, o que foi considerado um “desrespeito”.
Não é o que pensa uma parcela expressiva dos jornalistas brasileiros. No 1º Congresso de Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, foi aprovada, por unanimidade, moção em que os signatários concordam com manifestações dos movimentos sociais contra a manipulação da informação e entendem que um congresso de jornalistas é, sim, um fórum apropriado para este tipo de manifestação.
É importante que não apenas os jornalistas sejam informados sobre os fatos mencionados, como a opinião pública saiba que na luta pela democratização da mídia é preciso que os próprios jornalistas se mobilizem para evitar que as suas representações sejam elitizadas. Afinal, como diz o ditado popular, o uso do cachimbo faz a boca torta. Seja onde for.
Texto escrito por Mário Augusto Jakobskind, jornalista, do Conselho Editorial do Brasil de Fato
O caso aconteceu ao fim da disputa do bronze no Taekwondo. O duelo era do cubano Matos contra Arman Chilmanov, do Cazaquistão, na categoria acima de 80kg do taekwondo.
A confusão começou quando Matos sentiu uma lesão no pé. Faltavam apenas sete segundos para o fim da luta, e ele estava à frente do placar. Pelas regras do taekwondo, o atleta tem um minuto para ser atendido antes de ser desclassificado. Mas o árbitro central deve dar um sinal avisando que o tempo está se esgotando, por motivos óbvios. O árbitro, demonstrando total desrespeito às regras, não avisa o atleta. Sem o aviso, o sinal de um minuto soou e o cubano foi automaticamente desclassificado. Perdeu a medalha de bronze e se descontrolou.
O vídeo do acontecido está abaixo:
A grande questão envolvendo esse fato é a cobertura da mídia. O cubano virou o vilão e o árbitro o coitadinho da história. Quando, sem entrar nessa dicotomia idiota de vítima e vilão, quem errou primeiro e não aceitou reavaliar a sua decisão foi o árbitro.
O cubano, então, agiu ‘certo’ batendo no juiz? É óbvio que essa atitude não pode ser aceita. Mas o que gerou essa atitude, o flagrante favorecimento do juiz ao atleta adversário, não é questionado. E se, nas próximas Olimpíadas, o mesmo juiz cometer tal erro, involuntário ou não, novamente? E se o atleta da vez também perder o controle? Vamos continuar condenando as vítimas?