Teorias sobre capitalismo e socialismo

Qual das teorias sobre a China se aproxima da verdade? Capitalismo selvagem? Capitalismo de Estado? Socialismo de mercado? Apêndice das necessidades do capitalismo global? Modelo capitalista oriental? E o que tem a primazia das forças produtivas a ver com a China e o socialismo? Nenhuma dessas questões pode ser respondida sem uma compreensão razoável sobre a história e sobre o processo interno de desenvolvimento do capital.

Do ponto de vista histórico, está em voga a teoria de que o capital existe desde o momento em que ocorreu uma forte acumulação financeira em algumas regiões do mundo. O capital seria dinheiro em processo de acumulação, pouco interessando saber se a forma utilizada foi o comércio, as pilhagens, a especulação, a indústria etc.

Tal acumulação financeira ocorreu durante o mercantilismo, em algumas regiões da Europa e na China, a partir do século XI. A luta entre os mercadores e os feudais tornou-se intensa nessas regiões. Nos reinos em que a monarquia se aliou aos mercadores, estes submeteram os feudais e se jogaram nas conquistas marítimas.

Na China, os mercadores haviam alcançado a Índia e a África antes dos europeus, com navios maiores e mais modernos. Porém, ao invés de submeterem os feudais, por meio da aliança com a monarquia, viram os Ming dividir-se em meio às disputas internas e serem derrotados pelos feudais manchús, que impuseram seu domínio e impediram a China de participar do mercantilismo.

Do ponto de vista histórico, o dinheiro poderia dar surgimento ao capital em qualquer lugar onde tivesse sido acumulado pelo mercantilismo. Mas a condição para isso era a existência de grandes massas desprovidas de meios de produção e de vida. O capital só se desenvolve onde é possível unir o dinheiro ao trabalho assalariado. Não é por acaso que isso ocorreu primeiro na Inglaterra, onde houve uma intensa expropriação das terras e demais meios de produção dos camponeses, deixando-os livres para serem explorados pelo dinheiro, através do salário.

Marx descobriu que essa transformação se dá no processo de produção. É aí que a força de trabalho se une ao dinheiro para gerar um valor a mais, ou lucro. Mas essa é uma unidade de opostos, inclusive entre os capitalistas. Estes, para sobreviver, têm que elevar a participação das máquinas e técnicas na produção, e reduzir a participação dos trabalhadores.

Deixado ao arbítrio de seu desenvolvimento interno (o que muitos chamam mercado), o capital tende a desenvolver-se até o ponto em que não precise mais do trabalho humano. Do ponto de vista econômico, isto seria seu suicídio, pois não teria como gerar lucros e acumular. Do ponto de vista social, seria uma tragédia completa.

Mas o desenvolvimento do capital não se dá isento das injunções históricas. Ele surgiu primeiro num país, e sua evolução nos demais é muito desigual, só aos poucos impondo suas características essenciais. A dialética da história é diferente da dialética do desenvolvimento interno, com inúmeros momentos em que uma espera a outra para realizar-se, causando transtornos à interpretação dos fatos.

Sem compreendermos isso, fica difícil não só explicar os caminhos distorcidos do capitalismo, como os caminhos, talvez ainda mais tortuosos, do socialismo.

Escrito por Wladimir Pomar, analista político e escritor, do Correio da Cidadania

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  • ELIANA

    quais os principais teóricos do capitalismo??????????????????????

  • http://ocomprimido.tdvproducoes.com/2008/07/teorias-sobre-capitalismo-e-socialismo/ Giovana

    não me ajudou em nada!:(