Segundo o Blog do Rovai, da Revista Fórum, e outras fontes, as Organizações Globo compraram o Grupo Estadão. A proposta das Organizações Globo teria sido feita a partir da InfoGlobo, que já mantém negócios conjuntos com o grupo O Estado de S. Paulo.
De acordo com o jornalista Giba Um “cada um dos seis principais integrantes da família Mesquita receberia R$ 90 milhões e o grupo Estado teria se comprometido a deixar o passivo trabalhista zerado (demitir todo mundo)”.
Segundo Giba Um, o grupo Estado já teria conversado com os grupos Folha e Abril para não ser acusado de monopólio. Além disso, o Jornal da Tarde seria fechado para não conflitar com o Diário de S. Paulo, veículos até então considerados concorrentes .
O Grupo Estado não confirma a venda. Alega que a informação não procede, e que a posição da diretoria é “negar o boato”. As demissões que já estão acontecendo, no momento de 20 a 30 demissões de acordo com Pedro Venceslau, do Estadão, também não teriam relação alguma com a suposta venda; seria um plano de demissões voluntárias relacionadas a uma questão estrutural da empresa. A assessoria das Organizações Globo também negou a informação e disse que a compra do Grupo Estado não procede e que não há negociações entre as partes.
Consideremos então que tudo não passa de um boato, já que, ‘oficialmente’, os envolvidos negam a informação. Mesmo assim, a Globo continua monopolizando quase toda a informação divulgada no país.
Nos Estados Unidos, por exemplo, existem mecanismos que proíbem a concentração de veículos de comunicação nas mãos de um só grupo, numa mesma cidade ou estado. Aqui no Rio, por exemplo, as Organizações Globo têm a TV Globo (RGTV), os jornais mais vendidos – O Globo e Extra -, estações de rádio – Globo, CBN – além da revista Época, do Portal de Notícias, etc.
É possível construir uma Democracia enquanto toda a informação é manipulada de acordo com os interesses de uma grande empresa? Porque eu acho que é essa a questão. A mídia tem o poder de escolher até os vencedores de uma eleição, vide a eleição do Collor. Não é a hora de fazer alguma coisa?

Após 10 anos da privatização da estatal de telecomunicações, a Telebrás, o setor apresenta um predomínio de empresas estrangeiras que, mesmo dentro de uma ótica favorável à privatização, não obtiveram êxito no cumprimento das metas estabelecidas naquele processo. A famigerada “modernização” e “eficiência” da iniciativa privada não se mostraram suficientes para alcançar a universalização das telecomunicações, ainda que o crescimento da rede de telefonia e o acesso às linhas móveis tenham apresentado aumento considerável, na última década.
Na telefonia celular, temos a 4ª maior tarifa do mundo, segundo a consultora Merril Lynch. Estamos longe de ter uma telefonia universalizada, já que cerca de 40 milhões de pessoas não têm acesso a esse serviço. E não há competitividade, pois não há agentes para assegurar isso. Para quê então privatizamos a empresa?
R$ 41 mensais
Para a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Estela Guerrini, a ampliação da malha telefônica não foi acompanhada pela popularização do serviço. “Depois da privatização, a rede se expandiu bastante, em todo o território nacional. A infra-estrutura existe, o que nós questionamos é o valor das assinaturas básicas e o valor da tarifa, que impedem a universalização”.
Hoje a tarifa básica para se ter um telefone é de R$ 41 mensais. “É uma tarifa muito cara para os padrões brasileiros, já que o salário mínimo nacional é de R$ 415 e a renda média do trabalhador é de três salários mínimos. Não entendo porque as tarifas são tão caras se as empresas receberam as redes montadas e expandiram muito”, questiona Ceci Juruá, economista do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro.
Agências regulatórias
A Anatel é uma mediadora entre os agentes (empresas) e o consumidor, ou mercado como eles dizem. Mas os interesses do consumidor têm que estar acima dos agentes. Não há muitas medidas positivas da Anatel no sentido de punir as companhias telefônicas que atendem mal o consumidor. Até existem algumas autuações da Anatel, mas as empresas recorrem administrativamente, depois recorrem à Justiça. Há processos que já têm 10 anos. A nossa legislação é incompleta”, afirma.
Reclamações
Enquanto a Justiça não resolve esses casos de abusos, os usuários lesados por empresas telefônicas têm recorrido a órgãos de defesa do consumidor. O Idec, que recebe reclamações sobre empresas e as encaminha judicialmente, aponta que o setor de telecomunicações foi o terceiro mais reclamado, em 2007, com 13,8% do total de reclamações. A liderança é dos planos de saúde (17,1%), seguido pelo setor financeiro (14%).
O principal problema apresentado pela telefonia refere-se à mudança de planos de pulso para minuto. Também foram relatadas queixas sobre a falta de transparência no detalhamento dos gastos nas contas telefônicas mensais.
Telebrás
Ao contrário do discurso hegemônico na época das privatizações, a economista Ceci Juruá considera que a Telebrás apresentava uma gestão eficiente e com potencial de inovação tecnológica nacional, ao contrário de hoje, em que tecnologias estrangeiras, como a GSM e CDMA, são desenvolvidas no exterior e trazidas para o Brasil.
“O que alguns esquecem é que a Telebrás foi uma empresa muito bem sucedida, em seus cerca de 20 anos de existência. Ela introduziu muitas patentes, inclusive o celular. Havia muito acúmulo tecnológico, desenvolvido por engenheiros brasileiros”, lembra.
Hoje, com o predomínio de empresas estrangeiras nesse setor, Ceci enxerga uma perda significativa de desenvolvimento técnico-científico em território nacional. “Com a privatização, não houve manutenção da capacidade tecnológica brasileira, mas sim uma incorporação de tecnologias estrangeiras. A partir daí, perdemos o bonde da história, pois as tecnologias e as pesquisas passaram a ser feitas na matriz, como EUA e Japão”, interpreta.

Soberania
Para a economista, a perda do estímulo à produção de ciência e tecnologia não foi o reflexo mais perigoso das privatizações. A entrega do setor nas mãos de empresas estrangeiras faz com que todo o tipo de informação, desde assuntos pessoais até segredos de Estado, seja transmitido por uma rede controlada por agentes externos.
“Não temos mais uma garantia de que estrangeiros não tenham acesso a esses dados, isso é um efeito terrível. Com a privatização, o Estado perdeu a sua privacidade. Há informações de governo que não estão guardadas devidamente. Mesmo que eles sejam honestos, as condições expõem a sociedade ao conhecimento de agentes dos mais variados”, alerta a economista, que lembra o caso da empresa britânica Kroll que, supostamente a mando da Brasil Telecom, rastreou informações e telefonemas do Palácio do Planalto.
Propriedade
Sobre o processo de privatização, Ceci lembra que o direito à propriedade, tão caro aos que defendem esse tipo de processo, não foi respeitado, já que os donos de linhas de telefonia eram acionistas da Telebrás, então maior sociedade anônima do mundo.
“Quando privatizou, ninguém sabe o que aconteceu com essas ações. Fizeram uma ‘salada’ com as ações, as distribuindo entre as empresas. Para recuperar isso, o acionista teve um esforço muito grande. Na minha opinião, não deram nenhuma satisfação para os acionistas”, pontua.
Mudança
Uma fonte de dentro da Anatel critica a política do governo para o setor de telecomunicações, sobretudo pelo fato de membros do Planalto terem sido os principais opositores do processo de privatização, não só da telefonia.
À época da privatização da Telebrás surgiram denuncias de promiscuidade entre acionistas das empresas vencedoras dos leilões e membros do governo FHC. À época, o PT protocolou pedido de CPI para investigar possíveis favorecimentos.
“As denúncias não foram efetivamente comprovadas por impedimentos da Justiça e por ações paradas nos tribunais superiores. O governo atual não tomou nenhuma medida com relação a isso, parece que agiu como se todas as privatizações foram favas contadas. Agora, o governo tenta gerenciar o modelo já estabelecido, e só faz isso, quer se mostrar eficiente na administração do que, antes, considerava um equívoco”, critica.
Recordo-me muito bem do meu primeiro contato com a história, quando passei a ter esta disciplina no colégio, introduzida à grade colegial na quinta série do ensino fundamental. Fiquei impressionado com a gama de informações e conhecimentos com que a mesma presenteou-me. Achava-me em pleno contato com o mundo e com a verdade. Tudo isso resultou do modo como a história era ensinada no colégio.
Era uma história puramente factual, linearmente marcada no tempo, detentora de todas as certezas e presa em suas datas. Hoje, olhando a objetividade deste tipo de história ensinada, até poderia parecer com a “história científica” proposta por Ranke. Porém não tinha nada de científica pelo simples fato de não se basear no contato com as fontes (o que Ranke propunha primordialmente) e sim somente com uma determinada historiografia. O que qualquer autor dissesse deveria ser encarado como verdade única e imutável. Indo contra suas formações universitárias, os próprios professores em sala de aula guiavam-se exclusivamente pelos livros didáticos, não estimulando assim os questionamentos e as dúvidas. Apresentavam somente os fatos, as certezas, sem direito às dúvidas, inibindo assim o surgimento de um pensamento cético, crítico. Assim, ao longo do meu ensino fundamental e médio, não pude desenvolver um pensamento crítico, pois este fora abafado por uma história dita verdadeira, imposta aos alunos à força.
Porém, esse método de ensino não faz mais que tornar a história irrelevante tanto em nosso cotidiano quanto em nosso ambiente cultural. Esse tipo de história que esteve presente na maior parte da minha vida encontrava-se, embora eu não soubesse na época, afastada de sua principal finalidade: “levar o homem a refletir sobre as formas de vida e de organização social em todos os tempos e espaços, procurando compreender e explicar suas causas e implicações”, como observa Vavy Pacheco Borges.
Passei a conhecer a “outra face” da história a partir do momento em que ingressei na faculdade. Confesso que sofri um choque quando iniciei os estudos de metodologia da história. Era difícil aceitar essa outra concepção conflitante e dinâmica, muito diferente da qual eu estava acostumado. Foi preciso desconstruir tudo o que eu tinha aprendido até aquele momento sobre o que era história. Hoje em dia, vejo que o termo “domesticado” é bem mais apropriado do que o termo “acostumado”. Então eu me pergunto: por que essa domesticação dos alunos para que estudem uma história que no futuro não virá a lhes servir para nada? Sem um pingo de reflexão ou compreensão, esse método aplicado nas escolas limita intelectualmente os alunos.
Digo isto porque eu fui um dos que sofreram um “baque” imenso ao entrar em contato com esse novo saber, talvez não o sofresse se não escolhesse o curso de História para me graduar. Provavelmente continuaria cego ao que realmente ocorre no mundo devido a uma limitação causada por uma infinidade de datas e nomes próprios que não iriam servir de nada para o meu desenvolvimento intelectual. Creio que as datas são importantes para nos situarmos no tempo, porém dedicarmo-nos somente à essa forma de estudo exclui o que há de mais extraordinário nesta área do conhecimento: as formas de pensar, os ideais, os sentimentos, entre outros aspectos.
Quando o meu horizonte histórico se ampliou, a partir do momento em que entrei na faculdade, vi que a verdade pode estar muito além do que eu imaginava (isto, é claro, se eu ignorar a possibilidade da verdade sobre o passado ser inacessível). Ora, se não há como saber a verdade sobre o passado, então porque continuar procurando por elas?
Se existe algo que está presente em nossa natureza é a dúvida, a incerteza. O pensamento cético é fundamental e deve ser estimulado, embora isso freqüentemente não aconteça nas escolas. Muitas vezes adota-se uma postura de que o que se está ensinando a verdade, o imutável, mesmo que não existam bases para comprovar isso.
Talvez eu seja impossibilitado, no futuro, de ensinar a história tal qual como penso que ela é, devido às necessidades e aos interesses institucionais que presidem a educação de forma geral. Porém lutarei para que eu possa ensinar aos meus alunos a história reflexiva, dinâmica, com base em fatos sim, mas não somente factual. Apresentar os fatos como uma cadeia de acontecimentos cristalizados está fora dos meus planos.
O estudo da metodologia da história não contribuirá apenas para minha futura vida acadêmica e profissional, mas sim para o meu modo de viver. Hoje em dia, por exemplo, eu abro as páginas do jornal e as leio tentando entender todo o contexto em que uma determinada notícia está inserida, buscando entender o que o autor da matéria tentou transmitir ao público. Não aceito de imediato o que está escrito, sentindo uma necessidade de questionamento e reflexão quase que naturais. O mesmo ocorreu quando fui ler Gabriel García Márquez, por exemplo. Pude perceber a noção de tempo cíclico que o autor desenvolve e achei interessantíssimo, pois creio que se eu não estudasse a teoria da história, essa noção de tempo do autor passaria despercebida por mim, além do motivo pelo qual ele tenta empregar esta idéia em seu livro.
O historiador precisa fazer uma auto-reflexão acerca de seu trabalho e de sua função na sociedade. A meu ver, a teoria da história visa não somente explicar o que é a história em si, mas também como o ofício do historiador se insere nas relações de poder em qualquer formação social da qual ele se origine.
Assim, o estudo da teoria da história não visa rememorar o passado somente. Cabe mostrar que a história constitui-se num discurso cambiante e problemático – tendo como pretexto um aspecto do mundo, o passado -, produzido por historiadores cujas cabeças e o modo de pensar estão no presente. Tais conhecimentos, uma vez colocados em circulação, encontram-se sujeitos a uma série de usos, que correspondem a diferentes bases de poder – que existem no presente – e que estruturam e distribuem sob um amplo espectro do tipo “dominante” ou “marginal” os significados das histórias produzidas.
(*) Por Vitor Lopes Moreira, estudante de História na UFRJ.