Archive for June, 2008

Que história é essa?

Recordo-me muito bem do meu primeiro contato com a história, quando passei a ter esta disciplina no colégio, introduzida à grade colegial na quinta série do ensino fundamental. Fiquei impressionado com a gama de informações e conhecimentos com que a mesma presenteou-me. Achava-me em pleno contato com o mundo e com a verdade. Tudo isso resultou do modo como a história era ensinada no colégio.

Era uma história puramente factual, linearmente marcada no tempo, detentora de todas as certezas e presa em suas datas. Hoje, olhando a objetividade deste tipo de história ensinada, até poderia parecer com a “história científica” proposta por Ranke. Porém não tinha nada de científica pelo simples fato de não se basear no contato com as fontes (o que Ranke propunha primordialmente) e sim somente com uma determinada historiografia. O que qualquer autor dissesse deveria ser encarado como verdade única e imutável. Indo contra suas formações universitárias, os próprios professores em sala de aula guiavam-se exclusivamente pelos livros didáticos, não estimulando assim os questionamentos e as dúvidas. Apresentavam somente os fatos, as certezas, sem direito às dúvidas, inibindo assim o surgimento de um pensamento cético, crítico. Assim, ao longo do meu ensino fundamental e médio, não pude desenvolver um pensamento crítico, pois este fora abafado por uma história dita verdadeira, imposta aos alunos à força.

Porém, esse método de ensino não faz mais que tornar a história irrelevante tanto em nosso cotidiano quanto em nosso ambiente cultural. Esse tipo de história que esteve presente na maior parte da minha vida encontrava-se, embora eu não soubesse na época, afastada de sua principal finalidade: “levar o homem a refletir sobre as formas de vida e de organização social em todos os tempos e espaços, procurando compreender e explicar suas causas e implicações”, como observa Vavy Pacheco Borges.

Passei a conhecer a “outra face” da história a partir do momento em que ingressei na faculdade. Confesso que sofri um choque quando iniciei os estudos de metodologia da história. Era difícil aceitar essa outra concepção conflitante e dinâmica, muito diferente da qual eu estava acostumado. Foi preciso desconstruir tudo o que eu tinha aprendido até aquele momento sobre o que era história. Hoje em dia, vejo que o termo “domesticado” é bem mais apropriado do que o termo “acostumado”. Então eu me pergunto: por que essa domesticação dos alunos para que estudem uma história que no futuro não virá a lhes servir para nada? Sem um pingo de reflexão ou compreensão, esse método aplicado nas escolas limita intelectualmente os alunos.

Digo isto porque eu fui um dos que sofreram um “baque” imenso ao entrar em contato com esse novo saber, talvez não o sofresse se não escolhesse o curso de História para me graduar. Provavelmente continuaria cego ao que realmente ocorre no mundo devido a uma limitação causada por uma infinidade de datas e nomes próprios que não iriam servir de nada para o meu desenvolvimento intelectual. Creio que as datas são importantes para nos situarmos no tempo, porém dedicarmo-nos somente à essa forma de estudo exclui o que há de mais extraordinário nesta área do conhecimento: as formas de pensar, os ideais, os sentimentos, entre outros aspectos.

Quando o meu horizonte histórico se ampliou, a partir do momento em que entrei na faculdade, vi que a verdade pode estar muito além do que eu imaginava (isto, é claro, se eu ignorar a possibilidade da verdade sobre o passado ser inacessível). Ora, se não há como saber a verdade sobre o passado, então porque continuar procurando por elas?

Se existe algo que está presente em nossa natureza é a dúvida, a incerteza. O pensamento cético é fundamental e deve ser estimulado, embora isso freqüentemente não aconteça nas escolas. Muitas vezes adota-se uma postura de que o que se está ensinando a verdade, o imutável, mesmo que não existam bases para comprovar isso.

Talvez eu seja impossibilitado, no futuro, de ensinar a história tal qual como penso que ela é, devido às necessidades e aos interesses institucionais que presidem a educação de forma geral. Porém lutarei para que eu possa ensinar aos meus alunos a história reflexiva, dinâmica, com base em fatos sim, mas não somente factual. Apresentar os fatos como uma cadeia de acontecimentos cristalizados está fora dos meus planos.

O estudo da metodologia da história não contribuirá apenas para minha futura vida acadêmica e profissional, mas sim para o meu modo de viver. Hoje em dia, por exemplo, eu abro as páginas do jornal e as leio tentando entender todo o contexto em que uma determinada notícia está inserida, buscando entender o que o autor da matéria tentou transmitir ao público. Não aceito de imediato o que está escrito, sentindo uma necessidade de questionamento e reflexão quase que naturais. O mesmo ocorreu quando fui ler Gabriel García Márquez, por exemplo. Pude perceber a noção de tempo cíclico que o autor desenvolve e achei interessantíssimo, pois creio que se eu não estudasse a teoria da história, essa noção de tempo do autor passaria despercebida por mim, além do motivo pelo qual ele tenta empregar esta idéia em seu livro.

O historiador precisa fazer uma auto-reflexão acerca de seu trabalho e de sua função na sociedade. A meu ver, a teoria da história visa não somente explicar o que é a história em si, mas também como o ofício do historiador se insere nas relações de poder em qualquer formação social da qual ele se origine.

Assim, o estudo da teoria da história não visa rememorar o passado somente. Cabe mostrar que a história constitui-se num discurso cambiante e problemático – tendo como pretexto um aspecto do mundo, o passado -, produzido por historiadores cujas cabeças e o modo de pensar estão no presente. Tais conhecimentos, uma vez colocados em circulação, encontram-se sujeitos a uma série de usos, que correspondem a diferentes bases de poder – que existem no presente – e que estruturam e distribuem sob um amplo espectro do tipo “dominante” ou “marginal” os significados das histórias produzidas.

(*) Por Vitor Lopes Moreira, estudante de História na UFRJ.

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A Europa direitista mostra as garras

direita

Na liberal Inglaterra, quase dois terços da população (64%, pesquisa da IPSOS-MORI,de novembro de 2007) querem leis muito mais duras para a imigração do que as existentes.

Esta idéia é compartilhada pela maioria dos países da Europa Ocidental. E vem sendo a principal bandeira dos partidos de direita europeus na conquista dos corações e mentes dos eleitores.

Na Itália, o premier Berlusconi contou com a aprovação de 58% da população (vide Angus Reid) ao propor medidas repressivas tão violentas que poderiam ser consideradas fascistas: tornar a imigração ilegal crime, passível de 18 meses de prisão; penas 1/3 maiores a imigrantes do que para italianos; condenar quem aluga residências a imigrantes ilegais a 4 anos de prisão, 50 mil euros de multa e confisco do imóvel.

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Os dilemas da regulamentação do caos cibernético

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Uma pesquisa divulgada há pouco nos Estados Unidos apontou que 49% dos norte-americanos[1] defendem a regulamentação da internet pelo governo. A pesquisa foi feita num contexto de comoção pública provocado por um episódio envolvendo suicídio, assédio sexual e a comunidade virtual MySpace.

Aqui no Brasil, o tema regulamentação ronda a primeira página dos jornais com uma sintomática regularidade mostrando que a questão já é mais do que um mero item da agenda pública.

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Sérgio Cabral e a mídia sabiam?

Na terça-feira, dia 3 de junho de 2008, o RJTV divulgou trechos de um vídeo que a Polícia Federal usa como prova de que o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ) teria comprado votos na eleição de 2006, o que constitui crime eleitoral. Veja aqui a reportagem. Trata-se de um vídeo gravado no Tijuca Tênis Clube, em 2006, pela associação dos investigadores excedentes da Polícia Civil.


Na foto, (1) Sérgio Cabral (PMDB-RJ), (2) Francisco Dornelles (PP-RJ), (3) Álvaro Lins (PMDB-RJ) e (4) Marcelo Itagiba (PMDB-RJ). Unidos, foram eleitos

Ocorre que esse vídeo obtido pela Polícia Federal circula entre jornalistas desde o ano passado, e foi usado na representação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) contra Álvaro Lins por quebra de decoro parlamentar. Na época, nem a Assembléia Legislativa e nem a imprensa deram muita importância e a denúncia foi engavetada.

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