
do Página12/Esquerda.net
Noam Chomsky, reconhecido linguista e ativista político norte-americano, prevê que os democratas vão obter maioria no Congresso sob a liderança de Barack Obama, mas que o republicano John McCain vai ganhar as presidenciais de novembro próximo. São duas as razões que, na opinião de Chomsky, impedirão, com toda a probabilidade, que o candidato democrata seja proclamado o primeiro presidente negro da história dos EUA: o racismo que subsiste na sociedade norte-americana, sobretudo no Sul do país, e a falta de escrúpulos dos republicanos na hora de desqualificar os seus rivais.
“O Partido Republicano, que tem uma vertente realmente fascista, conta com uma formidável máquina de difamação e vilipêndio que ainda não foi posta em marcha contra Obama, mas que sem dúvida será”, disse Chomsky em declarações prestadas em Boston.
Chomsky recordou a campanha de 2004, que pôs em disputa o atual presidente George W. Bush e o democrata John Kerry, para apoiar a sua argumentação: “Um dos candidatos – disse referindo-se a Kerry – combateu no Vietnã, numa das zonas mais difíceis sangrentas da guerra. O outro -continuou, em alusão a Bush – utilizou as suas ligações para escapar do serviço militar. Pois bem, a máquina difamatória republicana conseguiu inverter os termos e o herói de guerra acabou convertendo-se em traidor, enquanto que o que teve a ajuda do pai para livrar-se da guerra converteu-se num patriota americano”.
O linguista classificou de “alarmantes” as sondagens que revelam que “uma alta percentagem de democratas afirma que não votariam num candidato negro”.
“O racismo está arraigado de uma forma muito profunda” nos EUA, disse, ao assinalar que as eleições primárias não refletem necessariamente o voto popular e que, além disso, no dia das eleições só votam 50% do eleitorado, pelo que a vitória de Obama nas primárias não lhe garante o voto democrata em bloco.
Perguntado sobre a percepção de alguns países europeus de que McCain é um republicano “brando”, à esquerda de Bush, Chomsky respondeu que isso certamente é “o resultado de uma propaganda muito eficazmente construída para apresentá-lo como um independente com posições próprias”. “Mas se olharmos um pouco mais a fundo (o seu registro de votos como congressista e senador) vemo-lo como um homem de direita muito conformista… provavelmente mais perigoso que Bush e perfeitamente capaz de levar o país ao confronto militar com o Irã”, assinalou, para acrescentar: “Apresentam-no como especialista em segurança porque foi piloto de guerra, mas não sabe nada de temas militares. Sabe como bombardear as pessoas de uma altura de 30 mil pés, mas será que isso o converte em especialista em segurança?”, perguntou.