
“Cometemos a ousadia de conquistar o governo da República do Paraguai”, disse o presidente-eleito Fernando Lugo há alguns instantes em Assunção. Segundo ele, “mudança” foi a palavra mágica da campanha da Aliança Patriótica, lançada oficialmente em 27 de agosto de 2007.
Nas ruas de Assunção, milhares de pessoas celebram a derrota do Partido Colorado, que governa o país há 61 anos.
Fernando Lugo disse que o domingo foi uma “data histórica” para o país. Faz alguns meses “ninguém sonhava que isso poderia acontecer”, afirmou o ex-bispo. Afirmou que a vitória foi resultado de “um grupo de sonhadores políticos.”
“Estamos convencidos de que este país tem o direito de melhores horizontes”, afirmou. Disse também que pretende acabar com o clientelismo político, marca registrada do Partido Colorado.
Referindo-se ao vice Federico Franco, disse: “Esta dupla presidencial, quando se ratificar oficialmente os resultados, estará aberta com a mente, os braços e o coração para encontrar todos os representantes internacionais, em busca de uma verdadeira integração regional e mundial”.
Segundo ele, o Paraguai esteve hoje “nos olhos, no coração e na mente” de muita gente de fora do país.
“Quero pedir ao bom Deus que abençoe a todos os paraguaios”, afirmou Lugo, fazendo referência especial aos que estão “na Espanha, na Argentina ou no Brasil”.
A vitória de Fernando Lugo foi muito mais ampla do que previam até mesmo as pesquisas de boca-de-urna, divulgadas assim que a votação terminou. Com 70% das seções eleitorais apuradas, ele tem vantagem de 9% sobre a candidata oficialista, Blanca Ovelar. Lugo tem 41,8% dos votos, contra 32,8% de Blanca Ovelar.
Com base nos números das pesquisas de boca-de-urna, a previsão era de que o Partido Colorado conquistasse as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, além da maioria dos 17 governos de departamentos. Porém, a apuração mostra uma vitória de Lugo ainda mais ampla do que estava previsto.
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