Carta enviada pelo governo da Venezuela ao jornal El País:
Javier Moreno
Director, Diario El País
Miguel Yuste 40
28037 Madrid, España
Estimado Sr. Moreno:
Temos visto com alarme como a linha editorial do El País tem sido de uma evidente parcialidade jornalística com uma clara manipulação de informações contra a Venezuela e seu povo. Nos preocupa profundamente a violação dos direitos dos leitores de El País de receber “uma informação verdadeira, a mais completa possível”, princípio estabelecido no manual de redação do próprio jornal.
Como exemplo deste conteúdo sistematicamente distorcido sobre a Venezuela, apenas no ano de 2007 El País classificou o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez, de “autoritário” 34 vezes, 10 de “ditador”, 7 de “totalitário”, mais um sem número de vezes de “caudilho” e “populista”.

por João Pedro Stedile, publicado na ADITAL
Caros amigos, para evitar que minha incontrolável indignação interfira sobre a clareza dos fatos que vou narrar, por si só contundentes, vou alinhá-los em tópicos e da forma mais enxuta possível.
1. Em julho de 2002, o candidato Lula publicou seu programa de governo, assinado pelo coordenador de sua campanha, Antonio Palloci. No capítulo agricultura, item dos transgênicos, há um compromisso claro: que o governo Lula assumiria a responsabilidade pela precaução. Ou seja, não liberaria nenhuma semente transgênica sem absoluta segurança.
2. Durante o ano de 2007, a CTN-BIO, Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia, aprovou sem nenhum estudo científico de impactos na natureza e na saúde humana, como manda a lei, o uso comercial de duas variedades de milho transgênico: o milho MON 810, da empresa americana Monsanto, e o milho Liberty Link, da alemã Bayer.
3. Não tendo sido cumpridas as regras de segurança previstas na lei, o Ibama, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, recorreram ao conselho de ministros denunciando o perigo que isso significa para o meio ambiente e para a saúde da população.

65,4% dos entrevistados pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, todos moradores de favelas, afirmam que a cobertura da imprensa (jornal, rádio e televisão) dos fatos que ocorrem dentro das favelas é “sensacionalista (distorce os fatos e usa preconceitos)”. A pesquisa foi encomendada pela Cufa, Central Única das Favelas, e divulgada pela própria Globo na edição de hoje de seu jornal.
A Globo divulgou uma pesquisa dessas? Sim e não. O jornal publica a pesquisa com exclusividade – e em manchete -, mas incorre no mesmo erro. Distorce números e os manipula conforme seus interesses político-econômicos e ideológicos. O dado acima, em que os entrevistados identificam a manipulação da mídia, por exemplo, simplesmente não aparece no texto da reportagem. É relegado a um quadradinho entre outros oito iguais a ele, perdendo, assim, o impacto que poderia causar.