
As centrais sindicais CUT, CGTB e CTB, a Apeoesp, o Sindsaúde e as uniões estudantis UNE, UBES, UPES e UMES realizam nesta sexta-feira (29), às 14 horas, uma manifestação em frente ao Palácio Bandeirantes, sede do governo paulista, quando será cobrado ao governador José Serra a suspensão do leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), marcado para o dia 26 de março.
Segundo o manifesto de convocação do ato, “ao abrir mão da geradora, uma das maiores do país, o governo desiste também de um importante instrumento de indução do desenvolvimento. Como se sabe, geração de energia não é qualquer atividade econômica, mas sim interesse de Estado com importantes repercussões na vida da população, na atividade industrial e na economia em geral”.
“Já foi comprovado, na prática, que a privatização de empresas de geração de energia significa tarifa mais cara, apagão e desemprego”, afirmou o vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira).
Para o presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Carlos Ramiro de Castro (Carlão), “as políticas levadas a cabo por este grupo que governa o Estado há 13 anos, que prioriza a privatização de estatais e setores essenciais, como o que está acontecendo com a Cesp no momento, com a linha 4 do Metrô, com a concessão de rodovias estaduais, além da precarização do serviço público na área da saúde, da educação e da segurança pública, atinge toda a sociedade paulista”.
A campanha contra a privatização da Cesp foi deflagrada no dia 18 pelas centrais sindicais com uma manifestação no centro da capital.
Sindicato dos Engenheiros: ‘CESP vale 3 a 4 vezes mais que o preço mínimo’
Para Murilo Pinheiro, presidente do Sindicato dos Engenheiros em São Paulo, preço mínimo de R$ 7 bilhões é irregular pois só ativos da usina Porto Primavera chegam a R$ 12 bi e, com a usina Três Irmãos, valor da CESP pode quadruplicar no mínimo.
“O preço mínimo da Cesp está muito aquém do real patrimônio. Não foram avaliados os ativos da usina de Porto Primavera. Os custos de tais bens dariam um montante de R$ 12 bilhões”, afirmou ao HP o presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), Murilo Pinheiro, considerando que há “irregularidades na composição do preço mínimo” de cerca de R$ 7,05 bilhões.
Segundo Pinheiro, o patrimônio real da estatal “equivale ao custo de reposição da empresa. Assim, deveria ser três a quatro vezes maior do que o indicado como valor mínimo, levando em conta o valor de reposição também da usina Três Irmãos”, ou seja, entre R$ 21 bilhões e R$ 28 bilhões.
“Pela importância estratégica da energia ao desenvolvimento nacional e necessidade de investimentos para manutenção e ampliação do sistema, não se deveria entregar esse patrimônio público a particulares. As privatizações havidas no setor, em especial nos anos 90, apontam os equívocos dessa escolha. Entre os resultados mais do que conhecidos estão aumentos extraordinários nas contas de luz, queda na qualidade dos serviços e nenhum investimento na expansão, apesar de previsto nos contratos de concessão”, disse o engenheiro.
Na avaliação do presidente do SEESP, “a visão que tem norteado o governo do Estado é de que a Cesp não tem mais para onde se expandir, já é uma empresa pronta”. Porém, ele considerou que há capacidade de ampliação de 15% a 20% no caso de Porto Primavera e de outras usinas. “Dá para ampliar, isso era possível e teria que estar previsto. Se deixarmos dessa forma vai haver falta de energia”.
Pinheiro criticou ainda o veto à participação de estatais estaduais de energia, como Copel e Cemig, no leilão (internacional) da Cesp, “o que fere o princípio republicano”.
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