Retirado de http://www.viomundo.com.br/
Hillary Clinton está desesperada. E o sinal mais claro disso é o “desabafo” dela diante de repórteres. Um desabafo que foi ensaiado, como tudo é na campanha eleitoral dos Estados Unidos.
No dia 4 de março a vaga de candidato do Partido Democrata à Casa Branca estará em jogo. No Texas e em Ohio. Hillary era favorita em ambos. Não é mais. Se ela perder em um deles é carta fora do baralho. Barack Obama assumiu nas últimas semanas o manto de defensor do trabalhador americano. Promete aumentar o salário mínimo anualmente para acompanhar a inflação, diz que vai renegociar os acordos comerciais que resultaram em exportação de empregos e combater o poder em Washington das grandes corporações, como o Wal Mart e a Exxon Mobil.
Aos poucos, Obama foi solapando a base de apoio de Hillary Clinton no Partido Democrata. Avançou entre as mulheres, os hispânicos e os homens brancos. Avançou sobre a turma do colarinho azul. Consegue 8 de cada 10 votos dos democratas negros. Atraiu independentes, os mais ricos e os mais jovens.
E a campanha dele produziu duas poderosas peças de mala direta contra Hillary. Em uma, lembra o apoio da senadora ao NAFTA. Está em um dos livros que ela escreveu: o NAFTA, aprovado durante o governo de Bill Clinton, foi considerado por ela “um boom” econômico. Porém, os americanos de classe média baixa estão revoltados com a exportação de empregos que resultou dos acordos comerciais. Hoje a economia americana é de serviços. A manufatura foi embora e com ela os empregos que pagavam bem.
Como tem dito Obama, pais e filhos disputam vagas com salário baixo para fritar hambúrguer ou vender bugigangas no Wal Mart. É difícil reverter isso, mas campanha é campanha. Além disso, Obama também critica o plano nacional de saúde apresentado por Hillary Clinton, que obrigaria toda família americana a participar. Quem não participar será multado. A proposta de Obama é muito mais sensível, até porque apela à independência dos americanos em relação ao governo federal.
No plano apresentado por ele só são obrigados a participar casais que tenham filhos menores de idade. O projeto de Obama prevê oferecer seguro de saúde a um preço acessível, mas não é obrigatório.
A senadora Clinton acusou o golpe. Mais do que isso, tentou reverter um ataque alheio em seu favor. Disse que Obama é bonzinho nos discursos mas usa táticas de Karl Rove, o marqueteiro republicano que foi o rei das campanhas sujas. Desafiou Obama a debater com ela em Ohio. O senador, em vantagem, não quer mais debates. Ele acha que só tem a perder com isso.